CEPESP NAS ELEIÇÕES: Sérgio Praça

O professor da UFABC Sérgio Praça avalia que o acirramento entre as candidatas Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PSB) vai continuar até o dia das eleições.

Apesar disso, aposta que o tom negativo da campanha não vai fugir do razoável. E faz um alerta. “Bater muito em um candidato é estratégia perigosa: há uma linha fina entre criticar e tentar humilhar, desqualificar completamente. Essa linha ainda não foi ultrapassada. E acho que não será.”

Confira a quarta entrevista da série “CEPESP NAS ELEIÇÕES”:

1) Esta eleição presidencial tem sido uma das mais acirradas – e inusitadas – desde 1989. É um sinal de que estamos chegando à maturidade democrática?
O cientista político Robert Dahl, em seu clássico “Poliarquia”, argumenta que competição política e participação popular são as principais características da democracia. As democracias seriam mais “maduras” (termo que ele não usa) na medida em que mais se aproximassem ao ideal de competição e participação. Essas eleições de 2014 são acirradas e inusitadas por conta de um acontecimento impossível de prever: a morte de Eduardo Campos. O fato de Marina Silva ser candidata em seu lugar não mostra nada sobre maturidade. Mas concordo com o professor George Avelino: se pensaremos em maturidade como algo referente à transição de poder, o Brasil tem se saído muito bem.

2) Temos visto um sentimento anti-PT muito forte. Depois de quase 12 anos, o partido ainda tem capital político para garantir a permanência no poder?
O sentimento anti-PT tem bastante espaço na mídia, ao contrário do sentimento pró-PT, que pode ser sentido mais ouvindo as pessoas em pequenos municípios do que de qualquer outro modo. Após 12 anos no poder, qualquer partido seria o foco de críticas fortes, muitas delas bastante pertinentes (como à condução da macroeconomia e gerenciamento da coalizão). É surpreendente que o PT tenha conseguido renovar seus líderes (Dilma, Haddad, Padilha) e manter sua avaliação no governo federal como ótima ou boa para boa parte da população. 12 anos é muito, muito tempo em um país tão cheio de problemas.

3) Qual a sua opinião sobre a “nova política” defendida por Marina Silva (PSB)?
Serve para encantar lojistas da Oscar Freire e pessoas que acreditam que tudo o que falta ao Brasil é “acabar com a corrupção”, uma frase dita por apenas dois políticos no último horário eleitoral: Marina Silva e Levy Fidelix.

4) Pela primeira vez o PSDB pode ficar de fora do segundo turno de uma eleição. O partido está perdendo força? Onde ele errou?
O PSDB perdeu força desde que o PT passou a ocupar o papel de partido de centro-esquerda a partir de 2003, com o início do governo Lula. Errou ao não renovar seus líderes. Aécio, Alckmin e Serra são os mais importantes do partido há tempo demais. Errou ao não conseguir fazer oposição consistente aos pontos fracos do governo Dilma.

5) Faltam poucos dias para o primeiro turno das eleições. O que podemos esperar da campanha até lá?
A campanha vai ser em tom negativo, especialmente entre Marina e Dilma. Mas não fugirá do razoável. Bater muito em um candidato é estratégia perigosa: há uma linha fina entre criticar e tentar humilhar, desqualificar completamente. Essa linha ainda não foi ultrapassada. E acho que não será.

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Categorias:Cepesp na Mídia

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