CEPESP NAS ELEIÇÕES: Marcos Fernandes Gonçalves

Este blog publica, durante toda a semana, uma série de entrevistas com os pesquisadores do CEPESP sobre as eleições presidenciais deste ano.

O primeiro entrevistado foi o economista Marcos Fernandes Gonçalves, da FGV-SP. Para o professor, os ataques da presidente Dilma Rousseff (PT) em direção a sua principal adversária, Marina Silva (PSB), irão continuar até o dia da eleição.

Leia a íntegra da entrevista:

1) Esta eleição presidencial tem sido uma das mais acirradas – e inusitadas – desde 1989. É um sinal de que estamos chegando à maturidade democrática?
Sim e não. Sim pois o debate faz com que pessoas mudem de opinião e os candidatos têm que ver, com as críticas entre eles, o que deve mudar. Exemplo: Dilma sinalizou que a economia deve ser gerida de outra forma. Não sei se realmente ela entendeu, mas percebeu que ocorreram erros ou pelo menos assume que inflação é algo ruim. O Brasil está amadurecendo por causa disso. E não, pois a mera polarização não tem nada com a “maturidade”, mas mais talvez com outras variáveis que deixo os colegas cientistas políticos responderem.

2) Temos visto um sentimento anti-PT muito forte. Depois de quase 12 anos, o partido ainda tem capital político para garantir a permanência no poder?
No meu entender é natural o desgaste de material, fadiga. O PT tem sim condições, se realmente mudar a política econômica e comercial do Brasil, o que implica inflexão na diplomacia. Mas este segundo mandato de Dilma seria mais melancólico, dois anos de ajuste e dois anos de relativa bonança se tudo for feito corretamente, o que somente poderia ocorrer com uma equipe econômica ao modo de Lula I. A sorte de quem vencer é que os sinais de recuperação da economia americana são fracos ou ambíguos. Como o Federal Reserve estatutariamente deve zelar por estabilidade monetária e empregos, teremos dez anos de juros baixos no mundo. Sorte nossa.

3) Qual a sua opinião sobre a “nova política” defendida por Marina Silva (PSB)?
Não tem sentido algum esta palavra para mim. Creio ser um slogan. Se dele pode emergir um governo diferente dos outros, deixo este ponto aos colegas da área de política.

4) Pela primeira vez o PSDB pode ficar de fora do segundo turno de uma eleição. O partido está perdendo força? Onde ele errou?
O PSDB também sofre com desgaste de material, não foi oposição eficiente e, no meu entender privado, é visto não mais como social democrata, mas como “de direita”. Ademais o PSDB sempre teve mais pudor em divulgar suas ações sociais em FHC I e II, onde o gasto social foi, em termos relativos, maior do que em Lula I, II e Dilma. Há também uma geração de jovens eleitores, de todas as classes, que associa PT a ladões e “comunistas” e, outra parte dela, o PSDB a “neoliberais e anti-social”. Vejo isso em sala de aula, onde tenho alunos de classe C e de classe A e B, mas que majoritariamente vem de colégios de famílias ricas, mas com ensino mais, digamos, “humanista”, apesar de não gostar muito desse termo.

5) Faltam poucos dias para o primeiro turno das eleições. O que podemos esperar da campanha até lá?
Como leigo, diria que vai haver acirramento nos ataques de Dilma a Marina, associando-a com o fim de políticas sociais, ao PSDB, aos bancos. Aparentemente essa estratégia pode ser eficiente.

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Categorias:Cepesp na Mídia

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