José Roberto de Toledo: Jornalismo com banco de dados

O colunista de O Estado de S. Paulo José Roberto de Toledo apresentou, em seminário do Cepesp, a ferramenta Basômetro, que possibilita visualizar em gráficos dinâmicos a fidelidade da base governista. Especialista em reportagens com auxílio de bancos de dados, Toledo atua na cobertura política há mais de 20 anos. Com passagem pela coluna Painel, da Folha de S. Paulo, o jornalista hoje lidera uma equipe de programadores e repórteres numa iniciativa singular no jornalismo brasileiro, o Estadão Dados.

Crítico da reportagem apenas declaratória, Toledo ressaltou a importância do avanço de levantamentos estatísticos para  a melhor compreensão do cenário político. “Não escrevemos uma matéria nem fizemos um infográfico, fizemos uma ferramenta”, diz Toledo. “A grande diferença é que nós, enquanto jornalistas, estamos abrindo mão do poder de ser o narrador da história e transferindo esse poder para o usuário”.  A ferramenta tem sido usada com sucesso por pesquisadores para realizar análises do cenário político e do comportamento parlamentar. Iniciativas como o Basômetro são desenvolvidas também pelas redações de o New York Times, o Guardian e o El País.

O Basômetro

Estadao dados

A base de dados do Basômetro tem início em 2011 e é composto por todas as votações nominais dos parlamentares na Câmara e no Senado. As informações do banco de dados são alimentadas manualmente pela equipe do Estadão. Cada ponto do gráfico representa um político. Ao clicar no indicador, é possível acessar a ficha do parlamentar e descobrir quantas vezes ele votou de acordo com o direcionamento do governo. O espectro dos pontos providencia uma amostra visual do grau de adesão e fidelidade da base governista. “A ideia do basômetro foi eliminar o conceito de esquerda e direita, e tratar os políticos individualmente, pois sabemos que nem sempre o comportamento deles segue um direcionamento ideológico da bancada”, explica Toledo.

Com o banco de dados, é possível visualizar como progrediu o comportamento da bancada ao longo do tempo. Toledo percebeu que de 2011 para 2013 a base do governo Dilma se tornou  muito mais frágil e o chamado “núcleo duro” regrediu significativamente. De acordo com dados extraídos do Basômetro, em 2011 houve 81 votações e 306 deputados votaram 90% das vezes ou mais seguindo a orientação no governo. Era uma base ampla e com alto grau de fidelidade. Por outro lado, a oposição também era muito acirrada e combativa, ainda que pequena. “No primeiro ano de governo, essa base permaneceu quase intacta mesmo com todas as reformas ministeriais e as “faxinas” da Dilma. Isso começou a mudar já no ano passado”, analisa Toledo.  Em 2012, os 300 deputados que compunham o núcleo duro caiu para 134, ou seja, menos da metade.

“A oposição ficou menos oposição e subiu para a faixa dos 40% de governismo”, diz ele. A base composta por PMDB, PSB e outros partidos, que tinham uma taxa de governismo de acima de 90%, caiu para menos de 70%, ampliando o papel do “centrão”, ao passo que o PT ficou mais aguerrido e passou a votar 98% das vezes com o governo. “O basômetro é interessante por isso. É possível medir o apoio ao governo efetivamente. Não preciso que nenhum deputado ou ministro me diga como ele acha que está ou não está a base governista. Eu consigo medir isso, além de comparar o comportamento dos partidos, ver quais legendas estão se tonando mais governistas, medir o grau de coesão partidária, etc. Há infinitas possibilidade de análise”.

Veja a palestra de José Roberto de Toledo na íntegra:

Parte I

Parte II

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Categorias:Instituições

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