Concentração regional de votos em São Paulo

Políticos paulistas costumam concentrar esforços de campanha em cidades onde sua base eleitoral é maior. Assim, um deputado estadual geralmente marca presença no município do qual foi prefeito, assim como nas cidades vizinhas. Mas no momento em que tenta pleitear cargos mais altos, seja o de deputado federal ou senador, ele procura expandir sua área de influência, geralmente se afastando do núcleo político. O resultado é, com frequência, a perda da eleição.

Esse fenômeno eleitoral foi observado pelos cientistas políticos George Avelino, Ciro Biderman e Glauco Peres da Silva, com base nas eleições de 1994 a 2010, e é um dos resultados de uma pesquisa sobre concentração de votos em São Paulo. Durante entrevista com Giovanna Lima, do GV Pesquisa, Avelino e Biderman explicam a metodologia e as conclusões do trabalho:  A Concentração eleitoral nas eleições paulistas: medidas e aplicações.

Foi por meio de uma leitura dos procedimentos da economia regional que os pesquisadores do Cepesp puderam avaliar com mais clareza a distribuição de votos dos candidatos no interior de um distrito eleitoral e aprofundar a compreensão sobre a dinâmica política de São Paulo. “Há muitos anos, os economistas estão preocupados com a questão da concentração no estudo da economia regional. Percebemos que os cientistas políticos não tinham se debruçado sobre essa literatura e que era possível usar os índices da economia regional e adaptá-los ao estudo da ciência política”, explicou Ciro Biderman.

Os pesquisadores desenvolveram, portanto, um novo índice que leva em conta a distribuição espacial dos eleitores. “A maioria dos índices tomavam o município como um valor absoluto, mas isso gerava erros. Especialmente quando vemos que 30% dos eleitores estão concentrados na cidade de São Paulo. Nosso índice normaliza isso”, afirma Avelino. Segundo o artigo, se a proporção de votos de um candidato em uma determinada região é idêntica ao tamanho colégio eleitoral desta região, o candidato não pode ser considerado concentrado.  A geografia do eleitorado foi considerada um fator importante porque determina a implementação de políticas públicas.

A pesquisa também mostrou que a concentração eleitoral é feita de maneira regional. Ela abrange todo um conjunto de cidades vizinhas, não apenas um município específico. De acordo com os autores, “talvez a observação mais interessante seja a que o pequeno número de eleitos concentrados municipalmente (30) contrasta com o total de eleitos concentrados regionalmente (63); aparentemente, portanto, a estratégia de concentração regional é mais frequente entre os eleitos”.

A concentração de votos não é obrigatoriamente ruim. Ela representa apenas um tipo de estratégia eleitoral, que faz sentido especialmente em um Estado populoso como São Paulo, onde o ambiente eleitoral é muito competitivo. Quando eles tentam fugir dessa estratégia, acabam sendo mal sucedidos. “Um parlamentar sempre vai buscar mais cestos para colocar seus ovos”, diz Avelino. “Mas nessa tentativa de expansão mais ampla, ele acaba perdendo a eleição. Tem que retomar a carreira. Volta a ser prefeito ou deputado estadual, para refazer o processo político de concentração”.

Para ouvir mais sobre as conclusões deste trabalho, assista ao vídeo e leia o artigo na íntegra.

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Categorias:Eleições

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