Luiz Felipe de Alencastro: “500 Anos de Geopolítica no Atlântico Sul”

O historiador Luis Felipe de Alencastro, titular da cátedra de História do Brasil, na Universidade de Paris-Sorbonne, esteve na FGV para ministrar a palestra “500 Anos de Geopolítica no Atlântico Sul”. Professor visitante da Fundação Getúlio Vargas,  Alencastro é também diretor do Centre d’Etudes du Brésil et de l’Atlantique Sud da Sorbonne e autor de, entre outros tantos livros, “O Trato dos Viventes: Formação do Brasil no Atlântico Sul, séculos XVI e XVII”, editado pela da Companhia das Letras.

Em sua obra, Alencastro critica uma abordagem histórica insular, que leva em conta apenas o Brasil, isoladamente dos eventos transcorridos nas colônias de Portugal do outro lado do Atlântico. Ele defende o que chama de “História Atlântica”,  uma perspectiva que se baseia na visão do conjunto narrativo das colônias portuguesas, em que ” espaços coloniais mais que as colônias em si” são o foco de pesquisa. Essa abordagem, segundo ele, cria uma maior proximidade entre o Brasil e a África negra, ao adotar uma postura bilateral que considera as relações comerciais e culturais entre as duas regiões. Nesse sentido, em O trato dos viventes Alencastro mostra como a colonização portuguesa deu lugar a uma  zona de produção escravista no litoral da América do Sul e uma zona de reprodução de escravos em Angola, e como essas duas partes unidas pelo oceano se completam num só sistema de exploração colonial.

“A ideia de Atlântico Sul não é apenas geográfica”, diz o historiador. “Ela tem  uma conformação que vai mudando de acordo com o sistema dominante. Durante o sistema escravista, engloba também países no Golfo de Guiné, a Senegambia e Moçambique, que é na África Oriental, mas que neste período pertenciam à dinâmica do sistema comercial do Atlântico Sul. Depois de 1850, quando esse tráfico acaba, as relações desse Atlântico Sul mudam radicalmente”.

Durante a palestra, Alencastro ofereceu um panorama aprofundado sobre como essas relações do Atlântico Sul se transformaram desde o fim da escravidão. E explicou de que forma essa dinânima influenciou o Brasil contemporâneo e as relações bilaterais hoje existentes com os países africanos.

“Quando as colônias africanas ficaram independentes, passou a haver intensa troca com o Brasil. Criou-se um espaço Sul Atlântico como existia antes na época da navegação, uma nova integração. Hoje, já são 40 embaixadas do Brasil na África, mais que em toda a América Latina. Existe o Fórum Ibas, entre Índia, Brasil e África do Sul. E, agora, tem a discussão do pré-sal, que só pode ser explorado se houver o reconhecimento dos limites das 200 milhas do limite oceânico. O Brasil  tem total interesse em manter boas relações com a África, até porque que existe outro pré-sal a ser explorado do lado de lá. Vejo que existe  um movimento, comercial e cultural, que revigorou esse Atlântico Sul como um novo espaço geopolítico de extrema importância”.

Alencastro parte 1

Alencastro parte 2

Alencastro parte 3

Alencastro parte 4

Alencastro parte 5

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Categorias:Cepesp na Mídia

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