Sérgio Braga: Elites políticas e o desempenho das democracias

Professor do Departamento de Ciência Política, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Sérgio Braga dedica-se a traçar o perfil sociopolítico das elites do país. Esse estudo é crucial, segundo o pesquisador, porque ao se entender o funcionamento das elites políticas, é possível relacionar os interesses pessoais delas com o desempenho do sistema político.

As características e os valores das elites políticas afetam diretamente a qualidade da  nossa democracia”, explicou Braga, durante palestra na FGV-SP promovida pelo Cepesp. “Estudos demonstram, por exemplo, como políticas públicas na área de construção civil elaboradas pelas secretarias de Segurança Pública do Rio são distintas, dependendo dos vínculos que se formam entre determinadas elites”.

Braga é responsável pela elaboração de um mapeamento das elites políticas no Paraná, entre 1994 e 2002, durante as duas gestões do governo de Jaime Lerner.  Para este estudo, foram coletados dados biográficos e sociológicos dos atores políticos, além de informações sobre suas articulações com as instâncias do poder. O objetivo foi  perceber como o perfil de um secretariado (se mais técnico ou não) influencia no desempenho do sistema político como um todo, durante determinado mandato governamental.

O resultado do trabalho foi compilado no livro “Quem governa? Um estudo das elites políticas do Paraná” (editora UFRP), cujos organizadores incluem os pesquisadores Renato Perissinotto e Mario Fuks. De acordo com os autores, os indivíduos envolvidos nas decisões políticas têm tanta importância quanto a moldura institucional em que operam. Daí a necessidade de se traçar um perfil social e ideológico da elite política, e analisar seu comportamento nos processos decisórios.

Mas, para se entender a real natureza das elites, não basta traçar um perfil social e biográfico coletivo. É preciso também observar o processo de seleção pelo qual os candidatos são escolhidos, já que o tipo de recrutamento dos partidos afeta o desempenho do Legislativo. “No Brasil, existe uma quantidade enorme de candidatos a vereadores sem que haja um filtro partidário muito rígido, então eles ficam tentando apelar para vários recursos para se diferenciar. Os filtros partidários são amplos, o que afeta a qualidade das lideranças dos partidos”, explicou Braga.

“Uma coisa é a produção de uma candidatura nos Estados Unidos ou na Inglaterra, que são sistemas políticos com primárias e vários outros graus prévios de socialização dos candidatos dentro dos  próprios partidos, outra coisa é a construção de uma candidatura no Brasil, onde as regras e convenções são frouxas e não existem  instâncias de enquadrar o comportamento público dos candidatos”.

Braga também falou sobre como a natureza das elites influencia as dinâmicas da coalizão partidária e a relação entre Legislativo e Executivo.  Saiba como, a seguir:

Sérgio Braga – parte 2

Sérgio Braga – parte 3

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Categorias:Legislativo

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