O Brasil é um país de ‘políticos profissionais’

O diretor do Centro de Estudos Brasileiros da Universidade de Oxford, na Inglaterra, Timothy Power publicou, em coautoria com o cientista política César Zucco Jr., da Universidade Rutgers, um levantamento sobre as preferências da elite política brasileira nos primeiros 25 anos de democracia no país.

O artigo de Power e Zucco, que saiu em junho na revista Latin American Politics and Society,  estuda a composição do  Legislativo durante seis mandatos parlamentares e examina o posicionamento ideológico, a origem de classe social dos deputados e senadores, e a visão econômica e regional da elite política do Brasil entre 1990 e 2009.

Os pesquisadores constatam que a estabilidade política brasileira foi alcançada à custa da baixa qualidade de nossa democracia, que não realizou as reformas políticas necessárias para seu melhor funcionamento. “Entretanto, ao gerar estabilidade e moderação com representatividade, a difícil combinação institucional adotada pelo país  superou a expectativa mais otimista que poderia haver para o Brasil 30 anos atrás”.

O artigo Elite Preferences in a Consolidating Democracy: The Brazilian Legislative Surveys, 1990-2009 sugere que a natureza da experiência democrática brasileira resultou na consolidação de uma “comunidade de políticos profissionais”.

“O Brasil continua sendo uma república presidencialista cuja classe política preferiria um regime parlamentarista”, dizem Power e Zucco. Os políticos brasileiros são cientes das críticas direcionadas ao sistema partidário nacional e, por isso,  “durante o período eleitoral, eles preferem não ranquear os candidatos por partidos políticos e continuam a preferir a lista aberta”.

Quanto ao posicionamento ideológico das legendas, os autores dizem que “exceto o PPS, que tinha suas origens no antigo Partido Comunista Brasileiro fundado em 1922, nenhum partido passou por uma mudança drástica em seu posicionamento ideológico (…) apesar de ter havido uma migração dos partidos de esquerda para o centro”.

O estudo diz que partidos mais à esquerda do PT, como o “pequeno PSOL”, nunca prosperaram.  E que a direita manteve uma consistência retórica ao sempre apoiar uma economia de livre-mercado, enquanto a esquerda cambaleia entre o modelo estatizantes e o liberal.  “Essa é, sem dúvida, a descoberta mais importante da nossa pesquisa”, constataram os autores. Segundo eles, se a esquerda brasileira fosse forçada a escolher entre uma economia sob controle do Estado e o puro liberalismo econômico, ela optaria pelo segundo.

Sobre os partidos de centro, PMDB, PP, PR e PTB, Power e Zucco os classificam como “o bloco oportunista da centro-direita” que participa de qualquer governo eleito, mas que “é destituído de propostas políticas autônomas”.

“Esse bloco evidencia  ceticismo quanto à solidariedade Sul-Sul das políticas externas da administração Lula. A ideologia tem, portanto, impacto evidente nas orientações diplomáticas, apesar de o Congresso não ter um papel central neste domínio político”.

Para ler o artigo, acesse: http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.1548-2456.2012.00161.x/abstract

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Categorias:Legislativo

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