Matthew Winters: Melhor acesso à informação reduz corrupção

Em entrevista realizada na FGV-SP, o professor-assistente de Ciência Política da Universidade de Illinois, Matthew Winters fala sobre o estudo que ele desenvolve a respeito de corrupção em países emergentes. No momento Winters realiza, em parceria com Rebecca Weitz-Shapiro, da Universidade de Brown, uma pesquisa de campo no Brasil para descobrir como os cidadãos reagem a sinais de corrupção na sociedade. “No discurso popular brasileiro ainda parece haver a aceitação de políticos corruptos”, diz Winters. “Nós queremos saber por que isso acontece. É porque os eleitores simplesmente não se importam com a corrupção? Ou falta a eles informação sobre o que os políticos estão fazendo?”. Para responder a essas questões, Winters e Shapiro organizam sessões com entrevistados de várias faixas de idade e condição social, e perguntam se eles votariam em um político mesmo sabendo que ele é corrupto. “Paulo Maluf e o bordão ‘rouba mais faz’ é o exemplo clássico disso”, lamenta Winters, “mas esse cenário parece estar evoluindo historicamente”.

Em conversa com o pesquisador do Cepesp Sérgio Praça, na FGV-SP, Winters explica que, apesar de muitos brasileiros ainda parecerem coniventes com a falta de ética dos parlamentares, já é menor a leniência do eleitor jovem frente a candidatos implicados em escândalos de desvio de dinheiro público.  “O Brasil está tomando muitas medidas no caminho certo, como o programa de auditorias municipais, a Nota Paulista para evitar sonegação fiscal das empresas e o julgamento do mensalão. Eu acho que o próximo passo agora é melhorar a circulação das informações sobre os casos de corrupção e deixar o eleitor agir”. No artigo Using Field Experiment to Understand Information as an Antidote to Corruption, com co-autoria de Paul Testa e Mark M. Fredrickson, Winters mostra como, em diferentes sociedades, o melhor acesso aos meios de comunicação e ao noticiário político implicou na redução substancial dos índices de corrupção na burocracia estatal.

Na entrevista, Winters também fala de outro eixo de estudo desenvolvido por ele sobre os mecanismos de empréstimo do banco Banco Mundial. “Um em cada cinco projetos do Banco Mundial também sofre com algum nível de corrupção”, contabiliza. A seguir, ele fala sobre o xadrez político que influencia as ações da instituição e sobre a dependência do Banco Mundial em relação aos países do BRIC. Para saber mais, leia Choosing to Target-What Types of Countries Get Different Types of World Bank Projects.

Matthew Winters – parte 1

Matthew Winters – parte 2

Matthew Winters – parte 3 – Banco Mundial

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Categorias:Instituições

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